Futuro da Telemedicina: jornada híbrida do paciente entre o digital e o físico

Telemedicina e futuro híbrido - Doctoralia

Você já imagina qual será o futuro da telemedicina? Certamente teremos que equilibrar os pratos entre as necessidades físicas e digitais dos pacientes. Confira a excelente discussão sobre o tema entre líderes da área da saúde.

Historicamente, os momentos de crise são grandes motivadores de importantes evoluções. A atual pandemia do coronavírus é uma prova disso, visto que provocou transformações permanentes no setor da saúde, entre elas a popularização da telemedicina e a intensificação do perfil digital dos pacientes - o que leva ao futuro híbrido dos atendimentos médicos.

Daqui pra frente, consultas online e presenciais coexistirão, e saber conciliar as duas modalidades com profissionalismo já é um diferencial de hospitais, clínicas e consultórios que buscam se destacar no mercado. Seu centro médico está preparado para o futuro híbrido? 

Para ajudar você a adaptar-se a esta nova realidade, a Doctoralia, o TuoTempo e o Saúde Business promoveram um rico bate-papo com grandes profissionais do setor: Eduardo Cordioli, Gerente Médico de Telemedicina do Hospital Israelita Albert Einstein, Cadu Lopes, CEO da Doctoralia Brasil, Chile e Peru e Maria Luiza Buriham, nossa Head de Marketing.

A seguir, você confere as principais pautas abordadas durante a conversa. E caso queira assistir ao vídeo completo, é só deslizar até o fim do artigo e dar o play. 😉

1. Mesmo antes da pandemia, os pacientes já buscavam informações de saúde pela internet e optavam por soluções ágeis e práticas, quando disponíveis. A questão sanitária que se instalou este ano aumentou exponencialmente a procura por estas soluções. Qual é o perfil do paciente digital, o que ele busca, quais são suas necessidades e anseios? 

Segundo Cadu Lopes, o paciente de uma clínica é o mesmo usuário do banco online, do restaurante por delivery, do transporte por aplicativo. Ele já está acostumado a resolver a vida pelo celular há um tempo e durante a pandemia passou a valorizar ainda mais a praticidade, agilidade e segurança de serviços virtuais. Agora, ele espera ter a mesma experiência cuidando de sua saúde.

O CEO da Doctoralia reforçou ainda que cerca de 40% das ligações telefônicas feitas para clínicas e consultórios não são atendidas. Portanto, disponibilizar o agendamento online, assim como informações completas na internet, é uma estratégia para evitar que esses pacientes tenham uma experiência negativa e busquem resolver sua dor em outro estabelecimento.

2. Não se limitando somente ao período da pandemia, quais são os ganhos da telemedicina, tanto para os profissionais de saúde como para os pacientes?  

De acordo com Eduardo Cordioli, o benefício mais básico da telemedicina é também bastante evidente: aumentar o acesso, já que barreiras geográficas são quebradas e o paciente pode, em dois cliques, chegar ao médico. Mas ele ainda complementa dizendo que o futuro da telemedicina deve buscar atingir quatro grandes metas.

A primeira delas é entregar uma experiência positiva ao paciente, já que evita o deslocamento e agiliza o atendimento. 

Como consequência, o sistema de saúde como um todo também ganha, pois aumenta-se a aderência do paciente ao tratamento, o que melhora o desfecho em saúde e a fidelização. Logo, o segundo objetivo é oferecer mais saúde à população em geral.

“A telemedicina tem o poder de colocar o paciente certo no lugar certo. Com isso, evita-se desperdício e reduzem-se os custos –  que é a terceira meta”

Por fim, o quarto propósito da consulta online apontado por Cordioli é melhorar a experiência de quem cuida. Durante a pandemia, por exemplo, a telemedicina funciona como um EPI (equipamento de proteção individual) e possibilita que especialistas do grupo de risco continuem atuando sem se expor. 

Outra possibilidade que contribui com a qualidade de vida do profissional é selecionar parte da sua agenda exclusivamente para atendimentos à distância, permitindo que ele trabalhe em casa e passe mais tempo com sua família.  

Concluindo, Cordioli afirma que todos os atores ganham com a telemedicina

3. A humanização na saúde já foi definida como a aliança da competência técnica e tecnológica com a ética e relacional. Alguns embates temem que a tecnologia crie ruídos na subjetividade dos atendimentos médicos. O que pode ser feito para desmistificar esta preocupação para o futuro da telemedicina? 

Cordioli acredita que a tecnologia tem o poder de intensificar as características do ser humano, tanto as positivas como as negativas. Ou seja, médicos que fazem um excelente trabalho no mundo físico, também o farão no digital.

“É uma falácia dizer que a tecnologia afasta. Pelo contrário, a tecnologia aproxima de diversas formas”

O Gerente Médico de Telemedicina do Albert Einstein propôs a comparação entre duas situações e fez um questionamento sobre qual delas seria mais humana: um paciente que identifica uma lesão de pele, se direciona até o ponto de saúde mais próximo e rapidamente recebe suporte à distância de um dermatologista especializado, avaliando a necessidade de realizar uma biópsia de urgência; ou o paciente que precisa aguardar até um ano e meio para ser atendido presencialmente pelo especialista – possivelmente em um local distante –, enquanto corre o risco de uma grave doença se espalhar.

Ele complementa afirmando que a automatização de funções libera mais tempo para que os médicos, assistentes e secretárias possam se dedicar mais ao relacionamento humano, deixando que os sistemas realizem as atividades mais mecânicas.

👉 Dica: Case Médicos de Olhos: tecnologia humanizando o atendimento

Ainda sobre o mesmo tema, Cadu compartilha um exemplo real de estabelecimento médico que utilizou a tecnologia para humanizar o atendimento: o Hospital Vera Cruz e Centro Médico São Camilo, da rede Hospital Care. Após a implantação do CRM TuoTempo, 40% das novas consultas já são realizadas de forma online.

Segundo o CEO da Doctoralia, esta demanda reprimida mostra que não é a transformação da saúde que está impondo uma mudança no comportamento do paciente, mas sim a sociedade que, por já estar habituada com a digitalização, requer a modernização do setor. Além da telemedicina, o agendamento, o pagamento ,o  recebimento de receitas, o check-in, o acesso a exames, o compartilhamento de opiniões e até mesmo a sala de espera podem ser virtuais.

4. Conhecer a jornada do paciente é essencial para criar estratégias adaptadas a cada etapa e assim estreitar os laços com seu cliente, o paciente. Como isso é aplicado no Albert Einstein?  

“Pra você fazer transformação digital de verdade, não basta apenas digitalizar processos, é preciso revisitar toda a jornada do paciente que está em busca de cura ou da manutenção de sua saúde e colocá-lo no centro”, diz Cordioli.

Ele conta ainda que o Albert Einstein adota o modelo de 4 Ps, onde o primeiro e mais importante P é o de paciente, seguido por pessoas envolvidas no processo, o processo propriamente dito e, por último, a plataforma e todas as questões técnicas envolvidas.

A equipe começa fazendo uma design sprint para compreender a fundo todo o percurso do paciente –  desde como ele descobre que está doente, marca uma consulta e chega ao especialista, até como o profissional recebe resultados de exames, é notificado sobre exames alterados para que possa agir com mais velocidade e manter a comunicação com o paciente por meio de diversos pontos de contato. 

Com isso, fica mais fácil identificar maneiras de deixar a jornada mais prazerosa e eficaz, reduzindo a fricção ao longo do cuidado. “Não é fácil, é preciso se reinventar o tempo inteiro”. Entre os exemplos que ele trouxe, destacamos a marcação de cirurgia, que por telefone costumava tomar cerca de 1h30min dos especialistas e depois que passou a ser feita pela internet não leva mais que alguns minutos.

5. Segundo pesquisa feita com usuários da Doctoralia, 97% dos pacientes buscam especialistas para consultas preventivas e check-ups. O fato da jornada começar de forma digital facilita o acesso à prevenção? 

Cadu Lopes acredita que sim, a digitalização é um grande facilitador da prevenção e esse é um dos benefícios previstos para o futuro da telemedicina. Ele explica que a Doctoralia tem uma ferramenta específica que faz da plataforma uma fonte confiável de informações: o Pergunte ao Especialista

Nela, os pacientes fazem perguntas sobre sintomas, doenças, tratamentos e outras pautas relacionadas à saúde e recebem respostas de alguns dos mais de 700 mil profissionais cadastrados e autenticados. Com isso, fontes duvidosas e fake news perdem a relevância e diminuem as chances de automedicação.

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Além dos pontos destacados neste artigo, o webinar também abordou questões relacionadas ao modelo de remuneração na realidade híbrida dos atendimentos, à telemedicina dentro dos preceitos de lean healthcare, à confiabilidade dos sinais vitais medidos por softwares, aos prováveis impactos da tecnologia 5g na medicina, às regulamentações das consultas online, à capacitação de especialistas e, reforçando o tema principal, à união do online e offline no futuro da telemedicina. 

“O cuidado já é híbrido porque nunca a telemedicina excluiu a medicina tradicional. No fundo, é tudo a mesma coisa! Mas quando falamos em híbrido, eu gosto de ir um conceito além: o 'figital', que é justamente a disrupção digital que reflete no mundo físico.”

Dr. Eduardo Cordioli • Gerente Médico de Telemedicina no Hospital Israelita Albert Einstein

Confira o vídeo na íntegra clicando na imagem abaixo:

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